Capítulo I - O Mundo e Sua Eternidade Quebrada
A origem de Aeternum, a Queda e o estado atual do mundo.
"O que foi criado para durar para sempre, agora mal sustenta um novo amanhecer."
- Fragmento do Códice do Desígnio
Aeternum - O Mundo e Seu Significado
O nome Aeternum, vindo do antigo idioma sagrado, significa "aquilo que é eterno, imutável, sem começo nem fim".
Mas em tempos atuais, o nome carrega uma ironia amarga.
O mundo criado para ser eterno, perfeito e ordenado sob a vontade do Altíssimo, tornou-se um reflexo quebrado do que já foi - um eco distante da perfeição perdida.
Os sábios dizem que Aeternum ainda carrega o sopro divino em suas montanhas, mares e ventos, mas ele está ofuscado pela corrupção que habita o coração dos homens e anjos caídos.
A eternidade não desapareceu - apenas foi corrompida.
E agora, a criação cambaleia sob o peso de seu próprio livre-arbítrio.
A Ordem da Criação
Nos primórdios, o Altíssimo moldou Aeternum para ser reflexo de Sua glória.
Tudo era harmonia - o céu e a terra falavam a mesma língua, e o Criador andava entre Suas criaturas.
As Eras de Aeternum
I. A Era do Desígnio - A Criação
O Verbo moldou o Vazio e a luz preencheu o mundo.
Os Custódios foram criados e os povos receberam ordem e propósito.
A magia era um dom puro, usada em reverência ao Altíssimo, sustentando a vida e as estações.
II. A Era da Queda - O Orgulho e a Corrupção
Lethariel e seus seguidores foram banidos para o Abismo, mas levaram consigo fragmentos da luz divina.
Esses fragmentos - as Relíquias - corromperam-se nas mãos dos homens.
O poder, antes dom de serviço, tornou-se instrumento de domínio e idolatria.
III. A Era dos Reinos - A Glória Passageira
Humanos e outras raças ergueram impérios sobre as ruínas da antiga fé.
Cavaleiros e magos disputaram glória, sacerdotes construíram templos para si mesmos.
A palavra do Altíssimo tornou-se tradição morta, e a fé, moeda de poder.
IV. A Era do Crepúsculo - O Tempo Presente
Agora, Aeternum jaz em cinzas.
O sol nasce pálido, a terra sangra.
Reinos decadentes travam guerras por relíquias e por fé.
Os templos estão em silêncio, não porque o Altíssimo se calou - mas porque os corações se fecharam para ouvi-Lo.
Aqueles que ainda O buscam, o fazem entre ruínas e sombras.
Temas Centrais do Mundo
A Queda da Graça
Todos os povos trazem o eco do Altíssimo, mas também a marca da corrupção.
A Queda foi escolha - uma escolha sussurrada por Lethariel, o Orgulhoso.
Desde então, o homem é livre para escolher, mas sempre escolhe a si mesmo.
A harmonia do mundo se partiu, e toda criação sofre por isso.
A Fé e o Silêncio do Mundo
O Altíssimo não silenciou; o mundo é que se ensurdeceu.
O povo clama por respostas, mas não busca o Criador.
A fé tornou-se relíquia - poucos ainda creem.
Mesmo assim, há os que resistem: monges, peregrinos e guerreiros que mantêm viva a chama em meio ao frio das ruínas.
A fé é, em Aeternum, o último milagre ainda possível.
A Magia e a Luz Corrompida
A magia é um vestígio da graça criadora - pura em sua origem, impura em suas mãos atuais.
Aqueles que andavam com o Altíssimo dominavam-na com sabedoria e temor.
Agora, poucos ainda conseguem usá-la sem corromper-se.
Ela é rara, instável e espiritual, e a pureza do coração pode definir seu sucesso ou ruína.
Nas regras do jogo, cada feitiço será um risco - um teste de fé.
O Heroísmo Trágico
Os heróis de Aeternum não lutam por glória, mas por propósito.
Sabem que não verão o mundo restaurado, mas ainda assim lutam,
porque agir com fé em meio à ruína é, em si, uma forma de redenção.
O heroísmo aqui é perseverança, não vitória.
O Mundo em Ruínas
Aeternum é um corpo ferido: castelos tomados pela hera, muralhas rachadas, homens cansados.
Mas nas cinzas ainda há beleza.
O vento que sopra nas ruínas parece sussurrar promessas esquecidas -
de que um dia, o que foi corrompido será restaurado.
Não neste mundo talvez, mas na eternidade que o inspirou.
Síntese Teológica do Universo
O Altíssimo é soberano e imutável;
O mal não é oposto de Altíssimo, mas a distorção da vontade que deveria adorá-Lo;
Lethariel e os Custódios Caídos existem, mas agem apenas sob permissão e limites;
Aeternum sofre não por abandono, mas por autodestruição espiritual;
A esperança, ainda que improvável, nunca é impossível.